Telemedicina, da cadeira ao WhatsApp

Admiro a abordagem que os organizadores do livro: “Você pode me ouvir, doutor? – Cartas para quem escolheu ser médico”, de Álvaro Leite e João Macedo, porque de modo abrangente e sensível, fala do problema que é a relação médico-paciente. Hoje desgastada pela rapidez com que se impõe as consultas médicas das instituições pública e planos de saúde.

A Telemedicina atende bem ao que o livro nos ensina, e muito mais. Entretanto, é desconcertante o vozerio que as entidades de classe produzem contra esse meio de comunicação que aproxima mais o médico do paciente.

Constatei isso na minha vivência, e cito o exemplo de uma paciente que mora nas proximidades do açude Arneiroz e que é portadora de asma grave. Há um mês veio daquele local para Fortaleza em forte crise, sofrendo muito durante a viagem, para uma consulta presencial. Aqui, resolveu-se a crise, realizou-se espirometria, confirmou-se o diagnóstico e uma receita lhe foi dada com a instrução de manter contato permanente via WhatsApp, inclusive de exibir vídeos a fim de se ver daqui, como estava a respiração, saturação de oxigênio, até os sintomas desaparecerem. Além disso, passei a conhecer sua família. Verifiquei o uso correto dos medicamentos inalatórios para controle das crises. Até o ambiente de casa pôde ser avaliado e controlado.

Essa experiência tem servido para acompanhar as evoluções de outras doenças, tanto nos que vem do interior, como nos da Capital.

A satisfação desses pacientes é enorme e a relação entre nós favorece a sensação de segurança da minha parte, e da deles, pois já confessaram algumas vezes que se sentem assim. Um amigo cirurgião já colaborou na realização de um complicado ato cirúrgico à distância.

Não há, então, porque não utilizar na Medicina as novas tecnologias de agora e do futuro: consultas à distância, uso da inteligência artificial nos procedimentos invasivos ou não, e no fortalecimento da relação médico-paciente. E mais: é premente que se adote a Telemedicina no currículo dos futuros médicos

DraMarcia

Dra. Márcia Alcantara Holanda
Médica pneumologista; coordenadora do Pulmocenter; membro da Academia Cearense de Medicina
pulmocentermar@gmail.com
FonteO povo

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Câncer de pulmão: um mal para a saúde e as contas públicas

Esse tipo de tumor, além de acumular muitas vítimas, pesa nos cofres dos governos. Um especialista traça esse cenário preocupante no Brasil e no mundo

câncer é um dos maiores desafios do século. A doença é responsável por mais de um quarto de todos os óbitos e, até 2030, será a principal causa de morte no planeta. No congresso da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), que ocorreu na Malásia, foram divulgadas estimativas indicando 18,1 milhões de novos casos e 9,6 milhões de falecimentos pela enfermidade só no ano de 2018.

Como é de esperar, países de renda menor sofrem mais o impacto. Em resumo, o câncer está para os tempos atuais como a peste negra esteve para a Idade Média.

Um passo para tentarmos modificar essa história é entender bem o tema, os números e os tipos de tumor. Quando somamos ambos os sexos, o câncer de pulmão é o mais comum (11,6% dos casos) e também o mais mortal (18,4% dos óbitos pela doença).

O maior promotor desse problema é, de longe, o tabagismo, que já matou 50 milhões de pessoas na última década. Se as tendências continuarem, 1 bilhão de pessoas morrerão pela exposição ao tabaco neste século, o que equivale a um falecimento a cada seis segundos.

Além de consequências que podem ser devastadoras para o doente e seus familiares, cabe salientar a repercussão coletiva da doença. Um estudo extenso do núcleo de inteligência da revista The Economist, com o qual pude contribuir, aponta que os custos diretos da assistência oncológica aumentaram muito nas duas últimas décadas.

Nos Estados Unidos, estima-se que os gastos passaram de 27 bilhões de dólares em 1990 para mais de 125 bilhões em 2010. Se os custos da atenção ao câncer crescerem 2% anualmente, os gastos projetados para 2020 serão de 174 bilhões de dólares.

No Brasil, a mesma pesquisa estimou o custo anual direto com câncer de pulmão, só pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em 250 milhões de dólares. A conta no sistema privado é ainda maior, apesar de estar disponível para só parte da população. Se o SUS desembolsasse o mesmo que o sistema privado para cada paciente com tumor de pulmão, essa cifra subiria para 1,7 bilhão de dólares!

Os vários novos tratamentos na área da oncologia só serão efetivamente uma realidade se construirmos soluções que ultrapassem os desafios financeiros evidentes. Nenhuma conquista será verdadeira se não tivermos as ferramentas, incluindo a coragem, de pautarmos questões complexas, como um financiamento realista das armas que possuímos hoje contra o que deve ser o mal do século 21.

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Márcia Alcântara Holanda: “Vacina, nem morta”

A frase acima foi proferida por uma paciente que acabara de receber o diagnóstico de sua doença pulmonar, como sendo a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (Dpoc). Por ser crônica e também progressiva, não tem cura, mas tem controle. Sendo a causa principal o hábito de fumar.

A fim do controle os pacientes com Dpoc devem: parar de fumar, usar corretamente a medicação adequada, de modo contínuo, praticar atividades físicas orientadas por especialista nesse tipo de terapia, que é a Reabilitação Pulmonar e vacinar-se contra a gripe.

O uso da vacina antigripal reduz em até 80% todas as gripes que o paciente iria ter durante um ano. Por sua vez reduz também em até 80% as infecções respiratórias e até as pneumonias, nesses pacientes.

Essa e outras frases, semelhantes as da paciente, são ditas por muitos que não aderem à vacinação impetrada pelo Governo Federal. Continue lendo

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O Guia de Bolso: Para controle da asma na Atenção Primária (PROAICA)

Guia de Bolso para controle da asma na Atenção Primária (PROAICA).

Está todo baseado no que há de atual em definição e medidas de controle da asma desenhados pelo GINA 2015 e também adota as recomendações das Diretrizes para o Manejo da Asma de 2013 da SBPT”. “Atualização 2017
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Vale conferir e usa-lo quando necessário
Para visualizar por completo, clicar no Guia da Bolso figura acima!
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A alimentação auxilia mesmo a prevenir infartos?

Doctor taking patient's blood pressure

Não é o caso de condenar sumariamente uma escapada à lanchonete no fim de semana para comer um hambúrguer. Nem considerar pecado sem perdão degustar uns docinhos vez ou outra. O perigo, como sempre, está no excesso. Mas numa coisa você pode apostar: o bom funcionamento das artérias está relacionado, sim, àquilo que a gente come. E não se trata só de ficar preso a proibições para evitar o ganho de peso. Já sabemos que ficar em paz com a balança ajuda a manter o coração saudável, mas mais importante é saber fazer as escolhas à mesa, maneirando em alimentos cheios de gordura saturada, açúcar e sal, e caprichando naqueles que são aliados dos vasos. Continue lendo

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