Asma: pesquisadores encontram origem do problema

Ausência de uma molécula no organismo estaria relacionada ao surgimento da asma. A descoberta dá esperança a novos tratamentos

Apesar das inúmeras opções disponíveis na farmácia, até hoje o tratamento contra a asma continua baseado apenas no controle dos sintomas, como as tosses e as crises de falta de ar. A ausência de remédios que agem na raiz do problema se deve à carência de um conhecimento mais aprofundado sobre o que acontece em detalhes lá nos pulmões.

A boa notícia é que a ciência acaba de avançar mais um pouco nesse sentido: estudiosos do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) descobriram que a falta de uma molécula conhecida por Blimp-1 é um ponto-chave no colapso das vias respiratórias.

“Isso abre a perspectiva de interferir diretamente no quadro alérgico por meio de uma vacina ou um medicamento”, vislumbra o imunologista João Santana da Silva, orientador da investigação, realizada em células humanas na bancada do laboratório e também em cobaias.

O passo seguinte será justamente desenvolver fármacos que mexam com esse processo.

Quais são as opções atuais
Broncodilatador: amplia o calibre dos brônquios, tubos por onde passa o oxigênio. Na asma, eles se fecham de forma crônica.

Anti-histamínico: atua contra a inflamação em diversos processos alérgicos. Reduz a vermelhidão, a coceira e o nariz escorrendo.

Corticoide: alivia a inflamação e suprime algumas células do sistema imunológico, que funcionam de forma exagerada.

Ajustes na casa: eliminar carpetes, bichos de pelúcia e cortinas e manter os cômodos limpos ajuda a controlar as crises respiratórias.

Por André Biernath
Foto: Alex Silva/SAÚDE é Vital
Fonte: saude.abril.com.br

Compartilhar:

Câncer de pulmão: um mal para a saúde e as contas públicas

Esse tipo de tumor, além de acumular muitas vítimas, pesa nos cofres dos governos. Um especialista traça esse cenário preocupante no Brasil e no mundo

câncer é um dos maiores desafios do século. A doença é responsável por mais de um quarto de todos os óbitos e, até 2030, será a principal causa de morte no planeta. No congresso da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), que ocorreu na Malásia, foram divulgadas estimativas indicando 18,1 milhões de novos casos e 9,6 milhões de falecimentos pela enfermidade só no ano de 2018.

Como é de esperar, países de renda menor sofrem mais o impacto. Em resumo, o câncer está para os tempos atuais como a peste negra esteve para a Idade Média.

Um passo para tentarmos modificar essa história é entender bem o tema, os números e os tipos de tumor. Quando somamos ambos os sexos, o câncer de pulmão é o mais comum (11,6% dos casos) e também o mais mortal (18,4% dos óbitos pela doença).

O maior promotor desse problema é, de longe, o tabagismo, que já matou 50 milhões de pessoas na última década. Se as tendências continuarem, 1 bilhão de pessoas morrerão pela exposição ao tabaco neste século, o que equivale a um falecimento a cada seis segundos.

Além de consequências que podem ser devastadoras para o doente e seus familiares, cabe salientar a repercussão coletiva da doença. Um estudo extenso do núcleo de inteligência da revista The Economist, com o qual pude contribuir, aponta que os custos diretos da assistência oncológica aumentaram muito nas duas últimas décadas.

Nos Estados Unidos, estima-se que os gastos passaram de 27 bilhões de dólares em 1990 para mais de 125 bilhões em 2010. Se os custos da atenção ao câncer crescerem 2% anualmente, os gastos projetados para 2020 serão de 174 bilhões de dólares.

No Brasil, a mesma pesquisa estimou o custo anual direto com câncer de pulmão, só pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em 250 milhões de dólares. A conta no sistema privado é ainda maior, apesar de estar disponível para só parte da população. Se o SUS desembolsasse o mesmo que o sistema privado para cada paciente com tumor de pulmão, essa cifra subiria para 1,7 bilhão de dólares!

Os vários novos tratamentos na área da oncologia só serão efetivamente uma realidade se construirmos soluções que ultrapassem os desafios financeiros evidentes. Nenhuma conquista será verdadeira se não tivermos as ferramentas, incluindo a coragem, de pautarmos questões complexas, como um financiamento realista das armas que possuímos hoje contra o que deve ser o mal do século 21.

*Stephen Stefani é oncologista do Hospital Mãe de Deus (RS) e presidente do capítulo Brasil da Sociedade Internacional de Farmacoeconomia e Estudos de Desfechos (Ispor)

Por Stephen Stefani, oncologista*
Ilustração: Tudmeak/Getty Images
Fonte: saude.abril.com.br

Compartilhar: