Microcefalia: a apoteose do controle

Os noticiários da noite de 20/1 foram aterradores quando apresentaram os dados do crescimento exponencial, entre nós, brasileiros, da frequência de nascimentos de crianças com microcefalia.

Custei a dormir imaginando uma geração de conterrâneos microcefálicos, deficientes para o autocuidado e para a vida. Sonhei que os governantes de minha cidade leram: “Aedes aegypti Control Strategies in Brazil (Insect 2015)”, a entrevista da dra. Margareth Capurro na Época de 29/12/2015, as Opiniões no O POVO de 12/2015, todos mostrando evidências, que o controle epidemiológico do Aedes depende de uma intensa ação conjunta de todas as instituições públicas, privadas e de pessoas. Disseram em cadeia de rádio e TV: “Vamos acabar com as chances de esse mosquito nos matar ou nos fazer incapacitados para o resto de nossas vidas”.

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“O risco que corremos hoje de termos uma geração futura de nordestinos microencefálicos, é grande, e real!!”

O controle da dengue, zika e chikungunya ao nosso alcance.

Há 25 anos, uma doença assolou a Chapada da Ibiapaba: era a silicose em cavadores de poços. Doença devastadora de pulmões, era adquirida de modo circunstancial, pelo fato de na região não haver fontes naturais de água e pelo fato de as ações governamentais de combate aos efeitos da seca patrocinarem a prática de escavar poços artesanais para a obtenção desse líquido.

Essa epidemia ceifou a vida de 200 homens na faixa etária dos 40 anos e ameaçou a de outros 1.200. Não tinha cura nem meios de controle da produção da poeira venenosa respirada no fundo do poço, por aqueles homens. (Holanda et al. Silicose em cavadores de poços da Região de Ibiapaba (CE): da descoberta ao controle. J Bras Pneumol. 1999.) Continue lendo

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Fidípides retorna ao local do sinistro

MOBILIDADE

Fidípides, “o meu pé”, que estava preso à cadeira de rodas, muletas e bota, após ter sido desmembrado da perna (O POVO de 3/4/2014), libertou-se para andar e ganhar o mundo de novo. Tomou um susto quando seu médico o ordenou a andar sozinho. A primeira reação foi de querer dar um grande abraço no médico, mas ficou foi atônito, se pôs a tremer, por estar despido e plantado no chão, sozinho. Quis chorar, mas riu ao se ver tremendo e desequilibrado sem saber andar. Pregado ali no chão, num misto de susto, alegria e medo, imaginou em pensamento o quanto Lázaro morto e sepultado, deverá ter ficado desorientado quando Jesus o ordenou: “Lázaro vem para fora… desatai-o e deixai-o andar” (João 11, 43,44). Continue lendo

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O desmembramento de Fidípides

Varava sertões, matas, vales, serras, veredas.. Animava-se com seu currículo de mais de dois mil quilômetros

Fidípides foi o apelido dado ao meu pé, por meu corpo/mente numa alusão aos feitos maratônicos do soldado ateniense. Segundo o historiador Heródoto, Fidípides foi enviado a Esparta antes da batalha de Maratona, em 490 a.C, em busca de ajuda. Chegou a Esparta um dia depois de correr uns 200 quilômetros. Ufa! Fidípides, agora é “o meu pé”. Um pé que era andarilho confesso, dono de grande flexibilidade. Era ágil, exercitava-se regularmente, realizava grandes travessias e vencia obstáculos próprios, encontrados nos entremeios da natureza e das construções urbanas. Varava sertões, matas, vales, serras, veredas. Saía e adentrava grutas… Animava-se com seu currículo de mais de dois mil quilômetros percorridos, passo a passo.
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Cearense, fortalezenses e a asma proustiana

É comum dizer-se que certo paciente tem “asma proustiana”, quando é grave, quase fatal

Em novembro passado, fez 100 anos que Proust lançou o primeiro tomo denominado No Caminho de Swann, de sua magnífica obra Em busca do tempo perdido.

Proust era asmático, e sua asma era do tipo grave, cujos ataques o levavam frequentemente às portas da morte. Atacava-o mais à noite, por dias e dias infindos. É comum dizer-se que certo paciente tem “asma proustiana”, quando é grave, quase fatal.
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